terça-feira, 7 de julho de 2026

Especialista alerta para uso seguro da inteligência artificial Checagem de dados é essencial ao usar ferramentas de IA

 Priscilla Mazenotti* - Repórter da Rádio Nacional

07/07/2026 - 09:00
Brasília
Uso de Smartphone e celular
© Tânia Rêgo/Agência Brasil

Tem aqueles que usam pra tudo:

"Para calcular valores de produtos, comparar valores nutricionais, fazer melhores escolhas no mercado, fazer melhor planejamento financeiro... Uma coisa que eu utilizo muito é para personalizar o meu treino. É para tudo."

E tem os que usam só por diversão:

"Ah, uso praticamente para brincadeiras, para montar imagens, fazer memes para a internet, pegar uma foto e fazer uma brincadeira com amigos, essas coisas."

Mas tem também quem usa pontualmente. Apenas para casos específicos. É o caso da estudante Dandara Albuquerque, que está contando com uma ajuda extra para montar o roteiro de viagem.

"Para saber quais dias eu deveria visitar em tais lugares. Ele também me deu a opção de locais para poder visitar, opções de hotéis também. Então, dá para você verificar que é real porque você pega o nome do hotel, joga no Google e faz o seu agendamento. Então, ele deu umas opções de hotéis mais econômicos, locais também de alimentação, horários. Então, nesse quesito, a gente tem um apoio maior da Inteligência Artificial porque a gente perderia muito mais tempo procurando, né, no Google. E lá já tem direto, então você utiliza o Google só para procurar os telefonemas, enfim."

A gente está falando aqui de Inteligência Artificial Generativa, usado para textos, imagens e análise de dados. É o Chat GPT, o Gemini, o Co Pilot, entre outros. O pesquisador e especialista em informática, Cleber Zanchetin, explica que a Dandara tá certinha. Esses chats servem para isso mesmo. Como uma ajuda, um assistente. E não para tomar decisões por você. É aquela velha dica: diante de uma resposta, sempre conferir depois.

"Eu acho que essa é a abordagem perfeita, porque você aproveita todo o potencial que essa tecnologia tem para filtrar um grande volume de informações, validar dados em diferentes fontes e fazer um resumo — e, eventualmente, até uma sugestão de um roteiro. E aí, depois, ela vai e checa cada uma dessas informações: confirma com o hotel, confirma como os pagamentos vão ser realizados... Eu acho que essa é a abordagem mais recomendada atualmente."

Para isso é preciso ter método. Saber o que perguntar. E confiar desconfiando. Até porque, à medida que a tecnologia vai avançando, os golpes e as manipulações também vão. O especialista Cleber Zanchetin chama a atenção para uma preocupação atual:

"Ou eles manipulam os dados que a IA vai usar para poder tomar as decisões, ou são introduzidos no seu... na sua chamada, né, na sua consulta, algumas informações que podem alterar a resposta que a Inteligência Artificial tá dando, ou, eventualmente, vazar informações de dados que você está passando para eles, né? Então, esse é uma das estratégias que os atacantes estão utilizando, então a gente tem que sempre ter muito cuidado."

No Congresso, tem projeto falando da regulamentação de inteligência artificial. Pensando não só nessa questão de manipulação, mas dos riscos, direitos autorais e transparência. Enquanto isso, vale a recomendação do professor Zanchetin: cuidado com dados sensíveis. Informações pessoais, de saúde, de dinheiro. Verifique a fonte que a IA está usando como base. É ter uma régua de checagem mais alta, diz ele. E desconfiar quando a resposta for cravada. Única e fechada. Sem alternativas.

*Com produção de Bel Pereira

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