quarta-feira, 3 de junho de 2026

Lula sobre sanções dos EUA: "Brasil não é republiqueta insignificante" Presidente brasileiro confirmou ida à reunião do G7 na França

 Gabriel Brum - repórter da Rádio Nacional

03/06/2026 - 13:28
Brasília
Brasília (DF), 03/06/2026 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva coordena reunião ministerial, no Palácio do Planalto. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Lula voltou a criticar as medidas dos Estados Unidos contra o Brasil e adiantou que vai mandar uma nova carta ao presidente norte-americano Donald Trump; e também afirmou que vai à reunião do G7, em junho, na França. Ele falou, nesta quarta-feira (3), na abertura da segunda reunião ministerial do ano.

Foi um encontro de alinhamento de discurso e ações, com vistas ao defeso eleitoral, que começa no dia 3 de julho.

Lula pediu aos ministros que as entregas que faltam fiquem prontas até lá, porque a partir dessa data o presidente não poderá participar de inaugurações e outras iniciativas. O presidente disse que não quer novidades; mas, foco nos projetos já anunciados.

Sobre o anúncio da possibilidade de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, Lula disse que ficou surpreso; já que, após a reunião com Donald Trump, ele estava confiante em uma nova lógica para a relação entre os dois países.

Nós estamos num momento decisivo para que a sociedade brasileira, e eu diria até uma parte da sociedade mundial, reconheça o fortalecimento da democracia no nosso país, a nossa luta para o fortalecimento do multilateralismo, para que esse país não seja tratado em nenhum momento como se fosse uma republiqueta insignificante. Nós somos muito grandes, nós temos muita história e nós não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deu ao Brasil essa semana.

Sem citar nomes, Lula criticou ações de algumas pessoas, que segundo ele, teriam estimulado a decisão do governo norte-americano.

Pedir uma punição ao país na perspectiva de derrotar uma candidatura ou de levar vantagem é de uma grosseria que eu não posso encontrar outro nome a não ser dizer em qualquer outro país do mundo, em qualquer outro momento histórico, isso seria chamado de traição da pátria.

O presidente Lula adiantou que vai mandar outra carta a Donald Trump e disse que se os Estados Unidos não quiserem, o Brasil vai fazer comércio com outros países. 

Agora, nós não vamos ficar chorando. Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. A gente não vai ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outros. O que tem que saber é que o Brasil é dono do seu nariz.

Ainda em seu pronunciamento, Lula disse que vai para o encontro do G7 em defesa do multilateralismo e da reforma do Conselho de Segurança da ONU.

Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e dar um paradeiro nesta coisa que está acontecendo de desmonte do multilateralismo, desmonte da democracia e de desvalorização das instituições.

Após a fala do presidente, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, apresentou resultados de políticas públicas e projetos do governo neste ano. Falou de Educação, Infraestrutura, Saúde e Meio Ambiente. Ela destacou também a queda do desmatamento, o terceiro menor desde 1988, um dos argumentos para a taxação sobre o Brasil.

EUA propõem taxar o Brasil por omissão no combate ao trabalho escravo O governo norte-americano propôs tarifas adicionais de 12,5%.

 Gabriel Correa – Repórter da Rádio Nacional

03/06/2026 - 09:23
São Luís
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quinta-feira (8) a aplicaçâo de tarifas de 25% para as importações de aço e 10% para as de alumínio
© Michael Reynolds/ EPA/EFE/ Direitos Reservados

Em novo anúncio, nessa terça-feira (2), o escritório do representante de comércio norte-americano decidiu que 60 economias, incluindo o Brasil, não possuem ou não aplicam proibições à importação de produtos feitos com trabalho forçado.

A acusação não é que o Brasil utiliza trabalho escravo na própria produção, mas a investigação aponta falta de mecanismos para impedir a entrada, no mercado brasileiro, de mercadorias produzidas com trabalho forçado por outros países.

A partir desse entendimento, o governo norte-americano propôs tarifas adicionais de 12,5% para 54 países. Além do Brasil, também estão na lista Argentina, Chile, China, Colômbia, Índia, Peru, Rússia, África do Sul, Inglaterra, Uruguai e Venezuela.

Outro grupo menor, de seis economias, incluindo União Europeia, México e Canadá, teriam 10%, por já terem fiscalização considerada insuficiente.

As medidas entram em fase de consulta até o mês de julho. Depois disso, os EUA vão decidir se devem implementar - de fato - as novas tarifas e em qual formato.

No caso do Brasil, essas tarifas se somam àquelas de 25%, anunciadas na segunda-feira (1º), sob a acusação norte-americana que o Brasil adota práticas desleais no comércio, e que podem entrar em vigor a partir do dia 15 de julho.

Essas duas possibilidades de taxação norte-americana, além da classificação de facções criminosas brasileiras como "terroristas" - o que pode justificar medidas contra o fluxo de capitais brasileiros - devem estar na pauta da reunião ministerial com o presidente Lula nesta quarta-feira (3).

 

Anvisa aprova medicamento contra forma grave de câncer na bexiga O Padcev já tinha registro para tratamento de câncer avançado

 Vitor Mendes * - Estagiário da Rádio Nacional

02/06/2026 - 17:51
Agência Brasil -Brasília
Brasília (DF), 09/01//2026 - Fachada do prédio da Anvisa em Brasília.  Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
© Valter Campanato/Agência Brasil

A Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, aprovou nesta terça-feira (2), uma nova indicação terapêutica para o remédio Padcev, uma medicação que pode ser usada juntamente com a pembrolizumabe para tratar pessoas com câncer de bexiga músculo-invasivo, que não podem fazer quimioterapia com cisplatina.

O medicamento pode ser utilizado antes e depois do procedimento de remoção da bexiga.

O Padcev ou enfortumabe vedotina, é um anticorpo que se junta a nectina-4, uma proteína expressa em células do câncer urotelial, ligado a uma substância que pode destruir células cancerígenas.

Já o pembrolizumabe é um anticorpo monoclonal que age na articulação a resposta imune contra o tumor.

O câncer de bexiga músculo-invasivo é a forma mais grave do tumor e tem alta incidência e altas taxas de mortalidade em pessoas que não são aptas a fazer tratamentos com cisplatina. Um dos grandes fatores de risco no desenvolvimento do câncer de bexiga é o tabagismo.

Alguns dos sintomas da doença são sangue na urina, necessidade frequente e urgente de urinar, dor na parte inferior do abdômen, entre outros.

* Sob supervisão de Bianca Paiva

Lula volta a defender o Pix e fala em articulação de Flávio Bolsonaro Investigação dos EUA pode resultar em novo tarifaço contra o Brasil

 Daniella Longuinho* – Repórter da Rádio Nacional

02/06/2026 - 21:33
Brasília
Catalão - GO - 02.06.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Visita ao Hospital Universitário da Universidade Federal de Catalão (UFCAT), em Catalão - GO.
 
Foto: Ricardo Stuckert / PR
© Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Lula voltou a defender o Pix, nesta terça-feira (2), após o anúncio do governo dos Estados Unidos de propor uma investigação comercial contra o Brasil, que pode ter como resultado a aplicação de um novo tarifaço, de 25%, sobre produtos brasileiros. Lula afirmou que a nova taxação foi "articulada por Flávio Bolsonaro" durante visita a Washington na semana passada, mas o senador nega a acusação. O presidente reforçou que o governo brasileiro não vai aceitar essa "intervenção" da Casa Branca:

“Você veja um negócio: o tal do bolsonarista foi aos Estados Unidos... Ele não estava focado e pediu pro Trump intervir no Pix brasileiro. Você acha que a gente vai deixar? Não vai deixar.”

A declaração foi durante visita ao Hospital Municipal Universitário de Rio Verde, em Goiás. Em outra agenda, também nesta terça, na cidade goiana de Catalão, Lula disse que o Pix "assusta" o governo de Donald Trump e chegou a sugerir que o sistema fosse adotado nos Estados Unidos:

“A preocupação dos americanos é que o Pix pode abalar muito as chamadas empresas de cartão de crédito deles, que estão aqui no Brasil. Acham que o Pix vai acabar com isso. E o Pix vai acabar mesmo, porque o Pix é de graça, é público e ninguém paga nada. É só clicar o Pix e está resolvido o nosso problema.”

Investigação comercial

Essas manifestações aconteceram um dia após o escritório do representante comercial dos Estados Unidos tornar público relatório sobre uma investigação, iniciada há um ano, contra supostas práticas desleais do Brasil no comércio com o país norte-americano. A acusação de favorecimento ao Pix de forma discriminatória em relação a outros meios de pagamento foi um dos motivos para o anúncio de uma nova tarifa de 25% sobre bens importados do Brasil.

O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final do escritório do representante comercial dos Estados Unidos até o dia 15 de julho, quando o governo Trump poderá adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Febraban

Em nota, a Febraban, Federação Brasileira de Bancos, defendeu que o Pix "é uma infraestrutura de pagamento, e não um produto comercial, que favorece a competição e o bom funcionamento do sistema de pagamentos e, consequentemente, da atividade econômica". Para a Febraban, o Pix é "um modelo aberto e não discriminatório, com participação de bancos, fintechs, instituições financeiras nacionais e estrangeiras".

*Com informações da Agência Brasil

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Classificar facções como terroristas gera risco ao Pix, diz Durigan Ministro diz que vai conversar sobre o tema com autoridades americanas

 Gabriel Brum – Repórter da Rádio Nacional

01/06/2026 - 11:41
Brasília
Brasília (DF), 28.08.2024 - Dario Durigan – secretário executivo do Ministério da Fazenda, durante entrevista coletiva sobre o processo de revisão de gastos. Foto: José Cruz/Agência Brasil
© José Cruz/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a classificação de facções como terroristas pode prejudicar o pix. Durigan adiantou que vai se encontrar esta semana com autoridades americanas para entender a decisão. Ele concedeu uma entrevista à rádio CBN, na manhã desta segunda-feira (1º).

Segundo o ministro, a medida põe em risco todo o trabalho de cooperação entre os países para combater o crime organizado, além de gerar insegurança para os bancos brasileiros.

“Nós não vamos deixar de fazer esforços. Essa semana eu devo entrar em contato com as autoridades nos Estados Unidos para esclarecer o que que está acontecendo, entendeu? Porque o presidente Lula foi o primeiro quem disse que nós temos que aumentar o combate a esse tipo de facção, a esse tipo de organização criminosa. Nós estamos botando em risco isso agora? A troco de quê?”

⏩ Ouça também: Declaração do Imposto de Renda será automática, diz ministro

Além disso, a classificação das facções como terroristas pode afetar bancos brasileiros e a tecnologia de pagamento nacional, prejudicando a população. Isso porque o Tesouro norte-americano pode aplicar sanções de forma unilateral.

“Então imagina o nosso ouvinte que vai fazer um pix de um banco A, um banco privado, para um banco B, um banco público, e aí aparece lá: ‘Não, você não pode fazer pix, você não pode fazer transferência para esse banco porque ele está atualmente sujeito a sanções do Tesouro norte-americano’. E claro que se esse banco B acabar interferindo ou acabar violando essa sanção, ele pode ter consequência no mercado de câmbio. Então ele não pode mais vender dólar, ele não pode mais operar com as empresas que ele fez apoio à exportação para os Estados Unidos”. 

O ministro disse que a investigação comercial que os Estados Unidos abriram sobre o pix é de caráter mais político do que técnico.

Lula sobre sanções dos EUA: "Brasil não é republiqueta insignificante" Presidente brasileiro confirmou ida à reunião do G7 na França

  Gabriel Brum - repórter da Rádio Nacional 03/06/2026 - 13:28 Brasília © Marcelo Camargo/Agência Brasil O presidente Lula voltou a criticar...

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