segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Estatuto do Paciente reforça direitos básicos no atendimento de saúde Lei amplia autonomia e estabelece deveres nos serviços

 Pedro Lacerda - repórter da Rádio Nacional

03/08/2026 - 09:19
Brasília
Recife (PE) 01/09/2025 - Cirurgias cardíacas infantis. Cirurgia no Imip. Foto: Igor Toscano/IMIP
© Igor Toscano/IMIP

Ser chamado pelo nome, entender o que está sendo receitado, saber por que um exame foi pedido: são situações simples, mas nem sempre respeitadas no dia a dia pelos serviços de saúde. Esse cuidado começa antes mesmo da chegada ao consultório: passa pelo segurança da portaria, pelo técnico administrativo do balcão, por quem faz a triagem, até chegar ao médico ou enfermeiro. É justamente esse fluxo completo, entre paciente e equipe de saúde, que uma lei recém-aprovada no Brasil passou a regular.

Desde abril, está em vigor o Estatuto dos Direitos do Paciente, que transforma a pessoa atendida em protagonista das decisões sobre o próprio tratamento e estabelece deveres para todos os envolvidos, tanto no SUS quanto na rede privada.

A diretora da Escola de Enfermagem da USP, a Universidade de São Paulo, professora Vilanice Alves de Araújo, explica que a autonomia do paciente passa a ser um ponto central na nova legislação.

"O que a gente verifica é que as principais mudanças que traz o Estatuto é que ele fortalece a autonomia do paciente, como princípio central desse Estatuto, ele garante o consentimento informado, que deixa de ser apenas a assinatura de um documento e passa a ser um processo de comunicação e assegura o direito à informação clara sobre diagnóstico, prognóstico, riscos, benefícios e alternativas terapêuticas".

Segundo a professora, a lei também garante ao paciente o acesso ao seu prontuário, o direito a uma segunda opinião médica, à presença de acompanhante e a cuidados paliativos no fim da vida. Até então, essas garantias estavam dispersas em normas isoladas e agora passam a valer de forma unificada em todo o país.

A pesquisadora Maristela Santini, especialista em direitos e segurança do paciente, explica que é a comunicação entre toda a equipe — não só entre médicos e enfermeiros — que garante, na prática, que essas conquistas saiam do papel.

"A comunicação tem que estar no nível entre os trabalhadores, dos trabalhadores com o paciente, trazendo ele aqui como um parceiro de cuidado e não como alguém que está hierarquicamente numa posição menor".

Falhas de comunicação, segundo a pesquisadora, estão entre as principais causas de erros na assistência à saúde. Já o paciente bem informado, mostram os estudos, adere melhor ao tratamento e participa mais das decisões sobre a própria saúde.

O Estatuto também impõe deveres. Pelo artigo 22 da lei, cabe ao paciente informar corretamente seu histórico de saúde, avisar sobre mudanças no tratamento e respeitar profissionais e demais usuários dos serviços. Para Maristela Santini, essa responsabilidade não se limita ao indivíduo: faltar a uma consulta marcada, por exemplo, tira a vaga de outro paciente que aguarda na fila de espera.

Segundo as duas pesquisadoras, o desafio agora é levar essa informação a quem ela interessa, ou seja, pacientes e também profissionais de saúde — e isso passa necessariamente pela comunicação.

Esse é o convite que a professora Vilanice Alves deixa aos ouvintes.

"Se você utiliza o SUS ou serviço de saúde privado, esse estatuto diz respeito diretamente a você ouvinte, ele vale para quem é atendido em uma unidade básica de saúde, em um hospital, em uma clínica, seja privado ou público, traz mais clareza sobre direitos, os seus direitos e também sobre suas responsabilidades como paciente ou usuário do serviço de saúde".

A violação dos direitos dos pacientes passa a ser tratada, pela primeira vez no Brasil, como uma questão de direitos humanos — não apenas uma disputa contratual entre paciente e serviço de saúde. Na prática, quem sentir que teve algum direito desrespeitado pode buscar a ouvidoria do próprio hospital, clínica ou plano de saúde — que agora são obrigados a manter esse canal — além de recorrer a órgãos como ANS, Procon ou os conselhos profissionais de saúde.

Tribunais eleitorais promovem campanha de combate à desinformação Ações educativas do TSE e TREs ocorrem durante a semana

 Gabriel Brum - Repórter da Rádio Nacional

03/08/2026 - 09:06
Brasília

TSE - Tribunal Superior Eleitoral
Urna eletrônica
© Antonio Augusto/Ascom/TSE

Ações para combater desinformação e aproximar a população das urnas acontecem a partir desta segunda até domingo.

O Tribunal Superior Eleitoral e os Tribunais Regionais vão realizar demonstrações da urna eletrônica, atividades educativas, visitas guiadas, campanhas e eventos abertos ao público.

O objetivo é fortalecer a confiança no sistema eletrônico de votação e estimular a participação cidadã, principalmente dos jovens.

Nesta segunda, um destaque da programação é a abertura de uma urna em uma escola da Capital Federal.

No decorrer da semana, uma campanha na internet, inclusive com o apoio de influenciadores digitais, vai tirar dúvidas e explicar como a eleição funciona.

Ainda estão previstas visita ao Museu do Voto e uma demonstração da urna na Rodoviária do Plano Piloto em Brasília, onde a população poderá testar o equipamento.

No próximo domingo, dia 9, para fechar as atividades, o TSE promove a Corrida pela Democracia para incentivar a participação da população.

As eleições gerais acontecem em outubro: dia 4 o primeiro turno e dia 25 o segundo turno, se houver.

Eleições: TSE divulga regras sobre arrecadação e prestação de contas Resolução traz mudanças nas doações e no financiamento de campanhas

 Gabriel Corrêa - repórter da Rádio Nacional

03/08/2026 - 08:34
São Luís
17/06/2026 - Tribunal Superior Eleitoral - TSE . Foto: Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A Justiça Eleitoral divulgou novas regras para a arrecadação e a prestação de contas nas Eleições Gerais de 2026, que acontecem daqui a dois meses.

Pela primeira vez, está permitido o uso de recursos de campanha na prevenção e combate à violência política, incluindo gastos com a proteção e segurança de candidatos.

Para doações feitas via Pix, não é mais necessária a emissão de recibo eleitoral; mas, a identificação do CPF do doador continua obrigatória.

É proibido o financiamento de campanhas eleitorais por meio de moedas virtuais, criptomoedas ou cartões pré-pagos.

Candidatos e partidos podem abrir contas de campanha de forma totalmente eletrônica, por meio de assinatura digital.

Doações recebidas por cartão de crédito ou financiamento coletivo devem ser informadas à Justiça Eleitoral em até 72 horas após o crédito.

Candidaturas de mulheres e pessoas negras devem receber, no mínimo, 30% cada, dos recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha. Para indígenas, o valor deve ser proporcional ao número de candidatos.

Além dessas mudanças, continua proibida a doação por parte de empresas e fontes estrangeiras.

Pessoas físicas podem doar até 10% dos rendimentos brutos referentes a 2025.

Para doações acima de R$ 1.064,10, é obrigatória a transferência eletrônica ou cheque nominal e cruzado.

Para doação de bens, o limite estimado é de até R$ 40 mil.

De acordo com a resolução do Tribunal Superior Eleitoral, o descumprimento dessas normas pode resultar em multas de 100%, sobre o valor doado a mais para a campanha eleitoral, além de sanções por abuso de poder econômico.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

EUA prorrogam ordem de emergência nacional contra o Brasil Documento classifica o Brasil como ameaça incomum e extraordinária

 Gésio Passos - repórter da Rádio Nacional

28/07/2026 - 21:51
Brasília
U.S. President Donald Trump delivers remarks on tariffs in the Rose Garden at the White House in Washington, D.C., U.S., April 2, 2025. REUTERS/Carlos Barria
© Reuters/Carlos Barria/Proibida reprodução

Os Estados Unidos prorrogaram por mais um ano a ordem de emergência nacional contra o Brasil, sem estabelecer medidas adicionais. O documento, de 30 de julho do ano passado, classifica o nosso país como uma "ameaça incomum e extraordinária".

A época da publicação da ordem, os Estados Unidos acusaram o Brasil de supostamente violar a liberdade de expressão de cidadãos norte-americanos e residentes nesse país. Além disso, o governo de Donald Trump afirmou que o governo brasileiro país atuava para que plataformas online censurassem contas de pessoas que estão fora da jurisdição brasileira e para que essas empresas adotassem políticas de moderação que não condizem com a liberdade de expressão.

O documento também dizia que o Brasil fazia uma suposta perseguição política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos de prisão por comandar uma tentativa de golpe de Estado no país.

Os Estados Unidos afirmam ainda que as ações do governo brasileiro ameaçariam a segurança, a política externa e a economia norte-americana.

Essa ordem executiva permitiu ao presidente Donald Trump a adoção de medidas contra o Brasil. No ano passado, quando o documento começou a valer, os Estados Unidos determinaram uma tarifa adicional de 40% sobre os produtos brasileiros. Mas a taxa acabou deixando de vigorar em fevereiro, após a suprema corte norte-americana decidir que Trump não poderia impor tarifas contra qualquer país por meio de uma lei de emergência sem aprovação do Congresso.

Na época, o presidente Lula afirmou que o Brasil é um país soberano com instituições independentes e que não aceitaria ser tutelado por ninguém. Por sua vez, o Supremo Tribunal Federal afirmou que o julgamento de Bolsonaro ainda estava em curso e que a corte trataria o caso com independência e com base nas evidências do processo.

Prazo de adesão ao Programa Desenrola 2.0 é prorrogado Agora, prazo final para renegociar dívidas é 31 de agosto de 2026

 Gabriel Corrêa - Repórter da Rádio Nacional

29/07/2026 - 09:09
São Luís
10/07/2026 - Brasília - dinheiro, moeda, real, reais, cédula, cédulas, nota, notas, moeda brasileira, dinheiro brasileiro, inflação, inflação alta, deflação, economia, economia brasileira, mercado, mercado financeiro, finanças, finanças pessoais, orçamento, orçamento doméstico, renda, renda familiar, salário, salário mínimo, remuneração, vencimento, pagamento, poder de compra, custo de vida, custo dos alimentos, aumento de preços, alta dos preços, carestia, desvalorização, valorização, perda do poder de compra, crise econômica, recessão, crescimento econômico, consumo, consumidor, compras, supermercado, cesta básica, despesas, gastos, contas, contas a pagar, boletos, dívida, dívidas, endividamento, inadimplência, poupança, economia doméstica, investimento, investimentos, aplicações financeiras, juros, taxa de juros, taxa Selic, Banco Central, crédito, empréstimo, financiamento, cartão de crédito, débito, PIX, transferência bancária, banco, instituição financeira, orçamento familiar, planejamento financeiro, reserva de emergência, patrimônio, riqueza, patrimônio líquido, capital, capital financeiro, lucro, prejuízo, receita, despesa, balanço financeiro, impostos, tributos, tributação, imposto de renda, arrecadação, arrecadação fiscal, carga tributária, imposto, taxa, tarifas, câmbio, dólar, euro, cotação, câmbio flutuante, desvalorização cambial, valorização cambial, moeda estrangeira, inflação acumulada, índice de preços, IPCA, INPC, IGP-M, poder aquisitivo, renda per capita, desenvolvimento econômico, estabilidade econômica, política monetária, política fiscal, oferta, demanda, produtividade, consumo consciente, educação financeira, planejamento financeiro, equilíbrio financeiro, independência financeira, riqueza, prosperidade, orçamento público, gastos públicos, contas públicas, déficit, superávit, tesouro nacional, moeda forte, moeda fraca, liquidez, circulação de dinheiro, s
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Mais tempo para renegociar as dívidas. O prazo do Programa Desenrola 2.0 foi estendido até o final de agosto.

A medida foi anunciada nesta terça-feira. O programa venceria na próxima semana, mas o novo período de vigência vai até o dia 31 do próximo mês.

Com a prorrogação, consumidores com pendências financeiras terão cerca de mais um mês para regularizar a situação junto às instituições bancárias, explicou o ministro da Fazenda, Dario Durigan:

"Esse prazo adicional vai ser importante inclusive para que as pessoas que hoje estão tentando acessar os programas de moto, de carro, para trocar sua moto, trocar seu carro, possam resolver eventuais pendências que têm nos bancos, previamente, que é usar o Desenrola para depois se enquadrar nas condições para as operações de carro e moto também poderem fazer jus a essas obrigações", diz. 

Ainda de acordo com Durigan, a extensão do cronograma não demanda novos recursos do Fundo de Garantia de Operações, ou seja, do ponto de vista fiscal ou impacto direto ao Tesouro Nacional, não gera mais custos:

"E isso não demandará novos aportes ao FGO, então é sem custo adicional do ponto de vista fiscal. E as condições do programa, elas se mantêm as mesmas do que foi originalmente anunciado, então, portanto, não tem nenhuma restrição, eh, ou ampliação ou alteração com relação ao que a gente apresentou no novo Desenrola Brasil originalmente", aponta.

Até agora, mais de 9 milhões de famílias foram atendidas pelo programa. 2,5 milhões renegociaram as dívidas bancárias com pagamento à vista.

Mais de 1,5 milhão optaram pelo parcelamento. E 5 milhões de pessoas tiveram o nome de inadimplentes retirado por causa de débitos de pequeno valor, embora a dívida continue para renegociação futura.

A expectativa é que, com o mês adicional de prazo, o total de beneficiários do Desenrola chegue a 10 milhões. A publicação oficial da nova data-limite deve ser feita até sexta-feira.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Biometria será usada nas eleições, mas não é obrigatória para votar Eleitor sem cadastro não pode ser impedido de ir à urna

 Gésio Passos - repórter da Rádio Nacional

27/07/2026 - 15:41
Brasília
Eleitora realiza biometria durante votação na Escola Municipal de Ensino Fundamental - EMEF Celso Leite Ribeiro Filho, em Bela Vista.
© Rovena Rosa/Agência Brasil

A biometria será usada mais uma vez para votar nas eleições deste ano. A tecnologia estará disponível em todas as seções eleitorais do país para evitar fraudes e garantir a lisura do pleito.

Apesar da requisição, é bom saber que biometria não é obrigatória para exercer o direito ao voto. Se o título estiver regular, o eleitor pode votar mesmo sem ter realizado esse cadastro. Neste caso, será exigido o documento de identificação para acesso à urna eletrônica.

Se a urna eletrônica não reconhecer a biometria já realizada, o eleitor continua tendo o direito ao voto. A orientação é que a leitura biométrica possa ser repetida até quatro vezes. Persistindo a dificuldade, a mesa receptora vai confirmar a identidade do eleitor por outros meios de conferência do cadastro. Se as informações coincidirem, o eleitor assina o caderno de votação ou registra sua impressão digital, caso não saiba assinar.

Em 2008, a Justiça Eleitoral começou a utilizar os dados da impressão digital para identificar os votantes. A medida foi adotada para aumentar a segurança das eleições e evitar que uma pessoa possa votar no lugar de outra.

Com o cruzamento de informações, o TSE ainda pode detectar eleitores com registros duplicados no cadastro eleitoral.

Cadastro biométrico encerrado

Já não é possível cadastrar a biometria para as eleições de 2026, porque o prazo se encerrou em maio deste ano. O TSE orienta a comparecer à Justiça Eleitoral após as eleições para realizar o cadastro.

No cadastramento, são coletados a fotografia, as digitais de todos os dedos da mão e a assinatura do eleitor. As informações são utilizadas para tornar mais seguro o processo eleitoral.

Risco do ebola ganhar escala global é baixo, diz diretor da OMS RDC enfrenta epidemia, mas conflitos dificultam controle

 Tatiana Alves - Repórter da Rádio Nacional

27/07/2026 - 17:03
Rio de Janeiro
Profissional de saúde usando equipamento de proteção individual ao lado de pessoas deslocadas que aguardam enterro de vítimas com suspeita de Ebola no campo de deslocados de Kigonze, em Bunia, no leste da República Democrática do Congo
18 de junho de 2026 REUTERS/Gradel Muyisa Mumbere
© REUTERS/Gradel Muyisa Mumbere/ Proibido reprodução

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom, afirmou nesta segunda-feira (27) que é baixo o risco de o surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) se espalhar para outras partes do mundo. O país africano enfrenta a doença há vários meses.

Desde maio, quando a atual epidemia foi oficialmente declarada, mais de 3 mil casos já foram confirmados. Cerca de 1.400 pessoas morreram. A maior parte das vítimas está na República Democrática do Congo, mas o vírus também já foi identificado na vizinha Uganda.

Tedros lembrou que, desde a descoberta do ebola, há cinquenta anos, apenas 30 casos foram registrados fora das regiões africanas afetadas. Mesmo assim, alertou que o risco para os países da região continua elevado, principalmente após a confirmação de casos em Uganda.

Conflitos X Saúde

De acordo com o diretor da OMS, o combate à doença enfrenta obstáculos por causa dos conflitos armados no leste da República Democrática do Congo, justamente a região mais afetada pelo surto. A violência dificulta o acesso das equipes de saúde e compromete ações de prevenção e atendimento à população.

Honoris Causa

Também nesta segunda-feira, Tedros Adhanom recebeu o título de doutor honoris causa da Fundação Oswaldo Cruz, a Fiocruz, em reconhecimento à contribuição dele para a saúde pública. Primeiro africano a comandar a Organização Mundial da Saúde, desde 2017, ele liderou a resposta internacional durante a pandemia de covid-19.

 

Estatuto do Paciente reforça direitos básicos no atendimento de saúde Lei amplia autonomia e estabelece deveres nos serviços

  Pedro Lacerda - repórter da Rádio Nacional 03/08/2026 - 09:19 Brasília © Igor Toscano/IMIP Ser chamado pelo nome, entender o que está send...

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