segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Sinal silencioso de socorro pode ajudar vítimas de violência Gesto criado em 2020 já ajudou vítimas no Paraná e em São Paulo

 Ana Lúcia Caldas - Repórter da Rádio Nacional*

19/10/2026 - 08:49
Brasília (DF)
Brasília (DF), 19/10/2026  - Sinal silencioso de socorro pode ajudar vítimas de violência.
Arte Senac
© Arte Senac

Você conhece os sinais silenciosos de socorro, como fechar a mão ou pintar um X vermelho na palma da mão?

O Sinal Mundial de Socorro foi criado em 2020, no Canadá, e consiste em, primeiro, com a palma aberta, voltada para a frente, dobrar o polegar em direção à palma da mão. Os outros quatro dedos devem ser fechados por cima do polegar, que fica escondido. O gesto pode ser repetido algumas vezes.

Pode ser feito discretamente, até mesmo com a mão virada para trás ou durante um atendimento ou videochamada, sem que o agressor perceba.

O sinal mundial de socorro ganhou ainda mais visibilidade depois do caso recente em Curitiba, no Paraná, quando uma menina de 9 anos foi abordada por um homem enquanto caminhava. Ela foi salva da tentativa de estupro graças ao gesto visto por um primo, que buscou a ajuda de um adulto.

Caso semelhante ocorreu em Pitanga, também no Paraná, quando uma mulher de 28 anos, vítima de violência doméstica, fez o gesto e o ex-companheiro acabou preso em flagrante.

Outro caso ocorreu na cidade de Americana, em São Paulo. Durante um atendimento em uma unidade de pronto atendimento, uma mulher fez o sinal para uma técnica de enfermagem, que acionou a Guarda Municipal.

Exemplos que comprovam que gestos silenciosos salvam vidas, como ressalta a procuradora de justiça do Ministério Público do Rio de Janeiro, idealizadora do perfil no Instagram @VamosMulherar, a Carla Araújo.

"Trancada em casa, ela não está tendo contato com seus familiares, com amigos, ele não deixa ela ligar para ninguém, se comunicar com ninguém, isso infelizmente acontece. Então, esses sinais, fechar a mão, ficar na forma de um punho, e o sinal vermelho, como eu disse, eles vão fazer com que ela peça socorro num restaurante, num shopping."

A procuradora explica outras formas de pedir ajuda "sem pedir ajuda" e exemplifica.

"Está tendo vários casos que a mulher liga para a Polícia Militar, para o 90, e pede uma pizza. É um sinal silencioso na forma de pedir o socorro, de uma outra forma. E a polícia tem entendido."

A família, a escola e os meios de comunicação têm papel importante também na transmissão de conhecimento que ajude as crianças e jovens a se protegerem, como no caso da menina e do primo dela, em Curitiba, que conheciam o sinal porque a avó ensinou.

A neuropsicóloga Camila Fantin, especialista em parentalidade, diz que a criança deve ser ensinada a se proteger a partir do momento em que adquire coordenação motora fina e compreensão básica de situações de alerta, o que costuma ocorrer por volta dos 4 a 5 anos de idade.

"A família é o primeiro lugar onde você vai construir uma relação segura, relacionamentos que vão te inspirar como você se relacionar socialmente. Então, dentro da família, a melhor maneira que nós podemos ensinar e combater a violência é tratando os nossos filhos com respeito mútuo, ensinando eles sobre regulação emocional.

O mesmo vale para as escolas.

"Então, a gente precisa promover espaços dentro dos nossos lares, dentro de escolas, de escuta, mesmo de respeito mútuo, de dialogar e de observar sinais. A inteligência emocional perpassa por isso, por você observar as emoções que você está sentindo, desenvolver o autocontrole sobre elas, mas também observar as emoções, os comportamentos que o outro está tendo e também saber se relacionar com ele."

E para quem tem dúvida em como agir quando presenciar um pedido de ajuda, a procuradora Carla Araújo ensina.

"Quando uma pessoa percebe que uma mulher fez esse sinal de socorro, ele deve se aproximar, mas com cuidado, deve chamar a polícia, ligar para o 190. O 190 é o telefone de emergência, caso de emergência da Polícia Militar. Tomar principalmente cuidado para que o agressor não atinja essa mulher ou até outras pessoas, não fuja, e aí a mulher acaba não tendo socorro, porque às vezes é fugir com ela se estiver dentro de um carro."

Para a procuradora, as pessoas não podem ser omissas quando ouvem, por exemplo, uma vizinha gritando por socorro, móveis e objetos sendo quebrados. A orientação é sempre buscar ajuda.

*Com produção de Luciene Cruz. 

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Dívida pública dos EUA chega a U$ 40 trilhões e bate recorde O déficit fiscal dobrou em menos de 10 anos e acende alerta

 Sarah Quines - Repórter da Rádio Nacional

20/08/2026 - 20:06
São Paulo
Presidente dos EUA, Donald Trump, desembarca do Air Force One 
   16 de agosto de 2026     REUTERS/Ken Cedeno
© REUTERS/Ken Cedeno/Proibida reprodução

Os Estados Unidos acumulam mais de U$ 40 trilhões em dívidas, segundo o Departamento do Tesouro do país. O valor chegou ao maior patamar da história.

A dívida pública do país norte-americano inclui títulos do Tesouro detidos pelo público de mais de U$ 30 trilhões e débitos intragovernamentais de quase U$ 8 trilhões. 

Em menos de dez anos, os Estados Unidos mais que dobraram sua dívida federal, que saiu de quase U$ 20 trilhões em 2017, no período do primeiro mandato de Donald Trump. 

Um terço do aumento ocorreu ao longo de dois anos, em ações dos ex-presidentes Joe Biden e Donald Trump em resposta à pandemia de Covid-19.

Equilíbrio fiscal 

O aumento da dívida, segundo grupos que fiscalizam o orçamento do país, acende um alerta para uma possível crise fiscal, por conta de custos crescentes com programas de proteção social e pagamentos de juros maiores do que as receitas, impactadas por cortes nos impostos. 

A avaliação é de que uma crise de dívida em grande escala só seria evitada se houvesse corte de gastos e aumento dos impostos para equilibrar o panorama fiscal. 

De cerca de U$ 7 trilhões  gastos ao ano, 60% são destinados a programas como a Previdência Social, programas de saúde e assistência aos veteranos. O aumento dos gastos com aposentadorias e assistência médica tem pressionado os fundos da Seguridade Social e do Medicare, o programa federal de saúde.

Em paralelo, as receitas de impostos sobre salários e renda continuam insuficientes para cobrir as despesas federais.

* Com informações da Agência Brasil.

 

 

 

Justiça suspende regra que permite dentista fazer harmonização facial Decisão foi tomada após recurso do Conselho Federal de Medicina

 Daniella Longuinho* – Repórter da Rádio Nacional

20/08/2026 - 22:08
Brasília
Fachada TRF1
© Ascom-TRF1

A Justiça Federal do Distrito Federal suspendeu resolução do Conselho Federal de Odontologia, o CFO, que reconhecia o procedimento de harmonização orofacial como especialidade odontológica. A suspensão foi determinada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, após recurso protocolado pelo CFM, o Conselho Federal de Medicina.

Para o CFM, a resolução do CFO ultrapassou os limites legais de atuação da odontologia. Por outro lado, o Conselho Federal de Odontologia reafirmou que a harmonização orofacial está dentro das atribuições da categoria e que vai recorrer da decisão.

O CFO também recomendou que os dentistas mantenham suas atividades enquanto a entidade contesta a decisão na justiça.

*Com informações da Agência Brasil

Viva Maria: STF amplia alcance da Lei Maria da Penha Decisão foi tema do Viva Maria com a advogada Isabel Duarte

 Programa Viva Maria

21/08/2026 - 07:54
Brasília (DF)
Rio de Janeiro - Protesto no Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher, pelo fim da violência contra as mulheres e contra o PL 5069/13, em frente à Câmara de Vereadores (Fernando Frazão/Agência Brasil)
© Fernando Frazão/Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, ampliar o alcance da Lei Maria da Penha, que agora passa a abranger todo tipo de violência baseada em gênero contra mulheres, não apenas a doméstica e familiar. A decisão foi tema do Viva Maria, que recebeu a advogada Isabelle Duarte, presidenta da Comissão de Combate à Violência Doméstica e Familiar da OAB-DF.

Segundo Isabelle Duarte, mulheres que sofrem ameaças ou perseguição no ambiente de trabalho, de estudo ou na vida política — como candidatas e mandatárias eletivas — poderão agora solicitar as medidas protetivas previstas na lei. A decisão, tomada com base na Constituição e na Convenção de Belém do Pará, coroa os 20 anos da legislação, celebrados durante o Agosto Lilás.

A advogada destacou que a violência de gênero é um problema estrutural, mas avaliou o julgamento como um avanço importante às vésperas das eleições de outubro.

Acompanhe no player acima.

Estiagem deixa 15 municípios do Amazonas em situação de alerta Produtos que chegavam pelos rios estão sendo entregues por estradas

 Alfredo Azle - repórter da Rede de Rádio Encontro das Águas

20/08/2026 - 19:03
Manaus
Manaus (AM), 22/11/2023, Embarcações encalhados devido ao nível baixo do rio Igarapé Tarumã-açu, na maior seca em 121 anos que Manaus vem sofrendo. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Com a chegada do verão amazônico, as previsões para a estiagem deste ano começam a se confirmar. A defesa civil do Amazonas decretou situação de alerta para 15 municípios, a maioria deles localizados na região sul do estado. No município de Envira, a cerca de 1,2 mil km de Manaus, a moradora Salete Pedrosa destaca os efeitos da vazante.

Produtos que antes chegavam pelo rio, agora estão sendo transportados pelas estradas, mas mesmo assim, a população ainda enfrenta dificuldades por causa das condições das vias.

“A trancos e barrancos eles estão trazendo assim mesmo, porque pelo rio não tá dando ainda não. Ainda tá muito, muito, muito seco”.

Até o momento, seis municípios do Amazonas estão em situação de atenção, enquanto 41 continuam em situação de normalidade.

De acordo com o secretário da defesa civil do Amazonas, Coronel Mauro Freire, o órgão já vem adotando medidas antecipadas para reduzir os impactos da estiagem.

“Somente em 2026, já enviamos 152 kits de purificadores de água do projeto Água Boa para 24 municípios, garantindo assim acesso a água potável e principalmente às comunidades ribeirinhas. Também já foram enviadas 33.000 cestas básicas, equivalente a 759 toneladas de ajuda humanitária, reforçando o apoio às famílias afetadas por eventos hidrológicos”.

Nesta semana, o município de Humaitá decretou situação de emergência por causa da seca do rio Madeira, que chegou a 12 m e 49 cm. Com o decreto, a prefeitura pode solicitar recursos do governo federal para garantir a continuidade dos serviços essenciais da região.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

MPT promove debate sobre emprego para população LGBTQIAPN+ Evento reúne órgãos públicos, empresas e sociedade civil

 Gabriel Corrêa - Repórter da Rádio Nacional

20/08/2026 - 09:19
São Luís (MA)
25/07/2026 - Brasília - Bandeira LGBTQIA+ são colocadas em postes de luz para 27ª Parada LGBTQIAPN+ de Brasília, na Esplanada dos Ministérios. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A população trans, no Brasil, registra índices elevados de exclusão profissional no mercado de trabalho. As consequências e soluções para este problema são os temas que o Ministério Público do Trabalho debate, nesta quinta-feira (20), no 3º Encontro de Empregabilidade LGBTQIAPN+.

O evento acontece na cidade de Belém (PA) e faz parte do projeto nacional "Empregabilidade LGBTQIAPN+", da Coordenadoria de Promoção de Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho.

Um estudo recente do Banco Mundial indica que a exclusão da população LGBTI+ do mercado de trabalho custa ao Brasil R$ 94 bilhões por ano, ou seja, 0,8% do PIB, o Produto Interno Bruto do país. A taxa de desemprego do grupo foi de 15% no ano passado. E mesmo sendo a amostra mais escolarizada, essa população recebe apenas 91% da renda média nacional, além de enfrentar 46% de informalidade, 6 pontos percentuais a mais que o restante da população.

A ideia do 3º Encontro de Empregabilidade é colaborar com o diálogo entre órgãos públicos e o setor empresarial, como explica a procuradora do Trabalho Bárbara Baracho.

"Estará presente também a sociedade civil, onde a gente vai escutar, fazer aquela escuta ativa, né? E promover esse debate desse tema que é tão precioso para nós do Ministério Público e para toda a sociedade. Já que os desafios que as pessoas LGBTQIAPN+ sofrem para a inserção no mercado formal de trabalho são imensos e a gente tem que cada vez buscar essas desmistificações..."

A programação inclui indicadores de empregabilidade, especialmente da região Norte, e o compartilhamento de experiências de contratação por empresas inclusivas.

"...que a gente possa promover uma conscientização dessas empresas e também para todos os trabalhadores e trabalhadoras, para que eles saibam os seus direitos e possam procurar os órgãos competentes quando se virem, de alguma forma, violados em seus direitos, principalmente no que é pertinente às discriminações por questão de orientação sexual ou identidade de gênero."

O Encontro de Empregabilidade acontece das 9h30 às 13h30 e é transmitido ao vivo pelo canal TV MPT no YouTube.

 

Anvisa quer regulamentar venda de remédios em plataformas digitais Objeto são marketplaces como Mercado Livre, Shopee e iFood.

 Ana Lúcia Caldas – Repórter da Rádio Nacional

20/08/2026 - 09:51
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Fachada do edifício sede da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vai abrir um processo administrativo para regulamentar a venda e entrega de medicamento por marketplaces, como Mercado Livre e Shopee, e aplicativos de delivery como iFood e Rappi. A decisão é da Diretoria Colegiada da Agência, e foi aprovada por unanimidade, nessa quarta-feira (19).

Uma alteração na legislação passou a permitir que farmácias e drogarias contratem canais digitais e plataformas de comércio eletrônico para a logística e a entrega de produtos ao consumidor.

A Anvisa vai agora regulamentar as condições para essa atuação, definindo com clareza as responsabilidades dos estabelecimentos e das plataformas; e assegurando a rastreabilidade das operações, a integridade das informações prestadas e o cumprimento das normas. 

O diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, explica a importância da decisão:

“Essa regulamentação é especialmente importante porque o medicamento não é um bem de consumo comum e a farmácia não pode ser compreendida apenas como um estabelecimento comercial. A farmácia é um estabelecimento de saúde que desempenha papel essencial na assistência farmacêutica e no uso seguro e racional de medicamentos”.

Para agilizar o processo, a Anvisa decidiu que não será feita a análise do impacto regulatório. No entanto, a agência deve realizar consulta pública para uma ampla participação social, além dos profissionais e estabelecimentos envolvidos.

 

Sinal silencioso de socorro pode ajudar vítimas de violência Gesto criado em 2020 já ajudou vítimas no Paraná e em São Paulo

  Ana Lúcia Caldas - Repórter da Rádio Nacional* 19/10/2026 - 08:49 Brasília (DF) © Arte Senac Você conhece os sinais silenciosos de socorro...

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