Destino conhecido de muitos, mas ainda de natureza intocada, o distrito de Alter do Chão fica a 38 km de Santarém, no Pará. Banhado pelas águas transparentes do Rio Tapajós, Alter ganha várias cores e cenários durante o ano. A subida e baixada do rio faz surgir praias de areia branca que atraem turistas de todas as partes do Brasil e do mundo. É aqui que o pequeno negócio de Dórrisson se estruturou. Hoje, a pousada dele é a mais antiga do lugar, como ele explica:

“1997 fechamos uma parte do restaurante, eu tava na faculdade e aí tava difícil de conciliar o trabalho de restaurante e comércio, que era precisava mais tá presente. Aí a gente resolveu migrar para a parte de hotelaria e foi aumentando, né?”
Dórrisson divide o negócio com a esposa, Maria da Conceição Munduruku. Ela conta que a pousada foi criada como um refúgio para quem buscasse um lugar mais econômico onde se hospedar:
“Fazer uma pousada que desse conforto para quem passasse o dia na praia e a noite ter um quartinho aconchegante, não colocasse um preço muito alto, mas que desse para gente se manter e dar oportunidade para quem quer vir a Alter do Chão.”
O negócio de Dórrisson e Maria da Conceição valoriza as tradições e a cultura local, e ainda gera renda e empregos. É um exemplo de bioeconomia na Amazônia, como explica a professora da Universidade Federal do Oeste do Pará, Patrícia Chaves de Oliveira:
“A bioeconomia, ela é uma economia baseada na biodiversidade. Essa biodiversidade pode ser de plantas, de animais. Uma economia que é baseada em recursos que são explorados de suas florestas, a gente considera isso uma bioeconomia. O ambiente vai determinar a bioeconomia, mas, em última análise, a bioeconomia nada mais é do que uma economia centrada na exploração sustentável desta biodiversidade.”
Se conectar com a natureza e a cultura local: um turismo de experiência, de base comunitária. Quem chega até esta região do Pará quer conhecer um pouco mais das tradições das comunidades que aqui vivem. E um dos principais locais a serem visitados é a Floresta Nacional do Tapajós. A Flona do Tapajós é uma unidade de conservação que foi criada em 1974 e tem mais de 520 mil hectares. Mais de mil famílias residem dentro da área. A maior parte delas vive do turismo, como é o caso de Elton John Vasconcelos, dono da Casa do Elton:
“A Casa do Elton, ela vem de uma necessidade de empreender dentro da reserva. Eu trabalhava em um projeto, esse projeto tinha duração de 10 anos. Eu saí desse projeto e a gente começou a construir casinha para passar final de semana com a família. E as pessoas passavam aqui para conhecer a Flona e paravam aí na nossa casinha e perguntavam: ‘Tem comida? Tem comida?’. E aí eu falei para o meu pai: ‘Ó, meu pai, o dinheiro passa aí na frente de casa, bora pegar um pouco?’. E a gente colocou aí uma plaquinha de pano e escreveu ‘Restaurante’. Primeiro dia chegou duas pessoas, o segundo dia chegou 20 pessoas e aí nós não tínhamos prato nem colher. A gente saiu correndo atrás dos vizinhos arrumando prato e talheres para servir o pessoal. E o Casa do Elton começou a crescer.”
Agora Elton está expandindo os negócios. São trilhas, chalés, passeios de barco...
“A partir que eu comecei as capacitações do Sebrae, eu comecei a entender que a gente podia trabalhar a economia da comunidade em geral. Além de vender uma experiência hoje na culinária, a gente vende experiência com os passeios, oficina de plantas medicinais, oficina de biojoias, oficina de carimbó, pesca esportiva, a famosa piracaia nossa, coisas que a gente desenvolve na comunidade, que a gente trabalha acompanhando a comunidade. E um dos pontos fortes é a nossa trilha, né? Nós temos pernoite na floresta para observações de cogumelo luminosos, então tem bastante alternativa que a comunidade toda ganha. Eu não consigo fazer sozinho, mas toda a nossa comunidade junta, a gente consegue fazer o melhor para o nosso visitante ter uma experiência única.”
Comunidade que se une para se defender do turismo predatório de grandes empreendimentos e provar que é possível uma outra forma de exploração dos atrativos da Amazônia, como faz Dórrisson:
“Os povos aqui funcionam como guardiões justamente dessa riqueza que a gente tem. Nós tivemos essa luta lá pela preservação do Tapajós, a luta também aqui dentro do território pela preservação da floresta.”
E ao preservar a floresta, ela te dá em troca, como afirma Elton John Vasconcelos:
“Essa experiência de ficar, ver o cotidiano, ver como a pessoa vive... Que aqui a gente tem uma conexão muito forte com a floresta, né? A floresta ela nos dá e a gente respeita ela, e assim vai.”
*Produção: Acácio Barros. Sonoplastia: Egibert Martins.