quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Julgamento do assassinato de Bruno e Dom é transferido para Manaus Segundo MPF, jugalmento em Tabatinga comprometeria imparcialidade

 Gabriel Corrêa - Repórter da Rádio Nacional

05/02/2026 - 12:33
São Luís
Manifestação em São Paulo após a morte do jornalista Dom Phillips e do ingenista Bruno Pereira no Amazonas
© REUTERS/Carla Carniel/Direitos reservados

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região determinou que o julgamento dos assassinatos de Bruno Pereira e Dom Phillips seja transferido de Tabatinga, no interior do Amazonas, para a capital, Manaus.

O pedido de mudança do local do Tribunal do Júri foi feito pelo Ministério Público Federal (MPF). O indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips, foram mortos a tiros no dia 5 de junho de 2022, no município de Atalaia do Norte (AM).

Eles visitavam comunidades próximas à Terra Indígena Vale do Javari, a segunda maior do país, com mais de 8,5 milhões de hectares.

Os dois desapareceram no trajeto entre a comunidade São Rafael e Atalaia do Norte. Os corpos foram encontrados 10 dias depois, enterrados em uma área de mata fechada.

Segurança e imparcialidade

No recurso apresentado em julho, o procurador da República em Tabatinga, Guilherme Diego Rodrigues Leal, argumentou que manter o julgamento na cidade, que tem cerca de 60 mil habitantes e fica a mais de 1.100 quilômetros de Manaus, poderia tornar o processo mais lento.

Além disso, segundo o Ministério Público Federal, existem riscos para a segurança dos envolvidos e o possível comprometimento da imparcialidade dos jurados, caso o julgamento ocorresse em Tabatinga. 

A ação penal envolve um contexto de conflito entre pescadores e indígenas pela exploração de recursos naturais na região.

Com a decisão do tribunal, os processos contra os acusados de executar o crime voltam a tramitar separadamente, o que pode dar mais agilidade ao julgamento de Amarildo da Costa Oliveira e Jefferson da Silva Lima, apontados pelo MPF como executores.

Ainda não há data definida para a realização do júri.

Pesquisa revela desafios de mulheres e famílias nas favelas do país Estudo do Data Favela aborda sonhos e desejos dos moradores

 Priscila Thereso - repórter da Rádio Nacional

05/02/2026 - 10:52
Rio de Janeiro
Vídeos de drones incrementam turismo em comunidades cariocas. Foto: Divulgação/Na Favela Drone
© Divulgação/Na Favela Drone

Um futuro estável e seguro. Esse é o desejo dos moradores ouvidos na pesquisa Sonhos da Favela 2026. Entre os obstáculos para a realização desses sonhos, a sondagem apontou dificuldade de ascensão social devido a lacunas estruturais, como educação e segurança. O levantamento feito pelo Data Favela e divulgado nesta quinta-feira, teve 4.471 respostas válidas em todo o país. Os resultados apontam que a maioria dos entrevistados, 82% são pretos ou pardos. As mulheres representam 62% dos moradores de favelas ouvidos, enquanto 58% ganham até um salário mínimo. A pesquisa evidencia que a instabilidade financeira é uma realidade estrutural, como detalha a copresidente do Data Favela, Cleo Santana.

"Cinquenta e oito por cento dos entrevistados dizem não ter renda fixa e, mesmo nos maiores centros econômicos do país, essa vulnerabilidade permanece muito forte. No recorte do Sudeste, apesar de haver nuances de maior estabilidade em parte dos respondentes, a instabilidade ainda predomina nos dois estados, atingindo oito em cada dez respondentes no Rio de Janeiro e sete em cada dez respondentes em São Paulo. Ou seja, mesmo aonde supostamente existem mais oportunidades, a favela segue enfrentando oscilação da renda".

O direito de ir e vir com tranquilidade nas favelas é o principal anseio para o ano de 2026, afirma Cleo Santana.

"A favela sonha com aspectos que estão totalmente ligados à dignidade, como, por exemplo, ter uma casa melhor, ter melhorias no saneamento básico, educação, saúde, ter o direito de ir e vir dentro do seu próprio território sem sentir medo. Um outro dado que chama bastante atenção nessa pesquisa é que 40% dos entrevistados dizem não confiar em nenhuma instituição para protegê-los de violência".

No caso das mulheres, há ainda o desafio da violência doméstica.

"O feminicídio ele ainda é um grande vilão dentro das favelas e na pesquisa ele foi citado por 70% das mulheres. E se a pesquisa revela que a população não confia em nenhuma instituição para protegê-las, isso cria um cenário ainda maior de violência. Existem algumas formas de mitigar isso e essas formas elas passam por programas estruturados de inserção das mulheres no mercado de trabalho e ações específicas que deem direcional a essas mulheres de como identificar essa violência e ter um canal seguro para pedir ajuda".

A nova edição da pesquisa Sonhos da Favela também aponta que o desejo de ver os filhos na universidade é meta prioritária para 12% dos moradores entrevistados. Isso reforça a educação como o pilar de transformação para o ciclo familiar. A pesquisa foi realizada entre 11 e 16 de dezembro em cinco regiões do Brasil, com ênfase nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. 

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  Gabriel Brum - repórter da Rádio Nacional 25/02/2026 - 14:39 Brasília © Valter Campanato/Agência Brasil A Primeira Turma do Supremo Tribun...

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